segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Eu posso

"Já tá ficando escuro, meu amor
Melhor sair daqui enquanto é tempo
Os dias andam estranhos, eu te entendo
Também queria um pouco de calor"
Leoni

O momento que os brasileiros e brasileiras vivem é, no mínimo, esquisito. Um vírus de desesperança, desespero, revolta e irritação que consome boa parte da população é contagioso e transmitimos entre nós, que se multiplica quando atinge o interior de nossas células. Talvez digamos: "não sei lidar". Talvez pensemos: "Não há o que fazer". Eu digo, porém: Não há no mundo quem possa mudar as coisas se não cada um de nós. Eu, aquela que escreve, poderei revogar leis e medidas provisórias aprovadas? Não. Poderei impedir os cortes na verba destina à educação, saúde, esporte e cultura? Não. Mas eu, você, e todos nós juntos podemos fazer o que o governo, nesse momento, não consegue: olhar dentro dos olhos/ler a história/ouvir o relato dos outros e se importar. Nós podemos nos importar.
Não convoco ninguém, aqui, a levantar uma guerra àquele que não tem empatia. Quiçá pra transformar esse "importar-se" em resultado de uma mescla de revolta contra quem não olha pelos nossos direitos e ira diante de quem ainda concorda. Eu não convoco ninguém, repito, ninguém, a fazer nada; apenas convido. Mas convoco a mim mesma a pôr mais afeto nas minhas palavras e nas minhas ações. A ter mais disponibilidade pra ajudar o outro. A ser refúgio para mim mesma de bons sentimentos e perspectivas, pra que com elas eu possa ser útil em ajudar a colorir os óculos preto e branco de quem foi pego pelo vírus. Eu convoco a mim mesma a me vacinar com esperança inesgotável e oferecer paciência e gotas de ânimo a quem foi infectado. 

Se existe a ausência daquele que, na nação, deveria zelar por nós, pelo nosso acesso aos direitos básicos para nossa sobrevivência e bem-estar, zelemos uns pelos outros! Aos cristãos: sejamos "o próximo" uns dos outros! Seja qual for a nossa religião dentro do cristianismo. Aos ateus e agnósticos: sejamos úteis uns aos outros! Formemos uma grande comunidade solidária! Quantos talvez não precisem daquilo que temos em abundância, como comida, roupas, cobertores, oportunidades, instrução, atenção? Quantos talvez não tenham pra dar aquilo de que precisamos?

"Seremos, no amanhã, uma grande família
Com certeza nossas vozes vencerão em coro
Todo o mal"
Ariovaldo Filho

Não é preciso que compartilhemos da mesma filosofia, religião, opinião. Mas se a gente souber se importar do jeito certo, sem julgar, sem acusar, mas compreendendo e respeitando quem o outro é, essa comunidade irá crescer e florescer como a maior e mais belo coletivo que o mundo já viu: o coletivo da solidariedade, do bem, e do amor.

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