Sentimentos: ô coisa difícil de se entender e de se comunicar. No primeiro momento não é incomum sentir dificuldade de detectar exatamente o que se sente. "Me sinto frustrada". Ok, mas quando se sente frustrada, se sente irritada, triste, como? Depois que li a lista de sentimentos que Marshall Rosenberg¹ apresenta no livro Comunicação Não-Violenta - Técnicas para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais, percebi que tinha muito sentimento que eu colocava com a mesma etiqueta, mas que em realidade era diferente.
Uma vez detectado o sentimento, vem o desafio: como comunicar o que sinto? Se me preocupo em construir uma relação pacífica e empática com o interlocutor, aconselho você, leitor ou leitora, a conhecer um pouco mais sobre a comunicação não-violenta.
Sem teorizar demais, trago um caso dividido comigo por um amigo. Seu cunhado, apesar de sempre presente nas reuniões de família em sua casa, nunca chegava a convidá-lo para qualquer coisa que fosse. O irmão de sua esposa tinha uma boa relação com ele, mas não se falavam muito além desses momentos de encontro presencial. Esses encontros, porém, acabavam por gerar conversas empolgadas e aproximava-os um pouco mais. Meu amigo, digamos que seu nome seja Pedro (é claro que protegerei sua identidade), inicialmente não ficava incomodado. Sempre encontrava justificativa plausível para a ausência de um convite para sair ou fazer uma visita, ainda que nunca dita a ele pelo cunhado ou por qualquer outra pessoa. Com o tempo, porém, ele começou a sentir-se esquecido. Como se aqueles momentos passados com o familiar por tantos anos não significassem nada.
Um dia Pedro decidiu falar o que sentia a Rodrigo. Mesmo sem nunca ter lido o livro anteriormente mencionado, seguiu algo que Rosenberg considera extremamente importante: expressar o que se sente. Afinal, seu cunhado não tinha bola de cristal e seria impossível adivinhar todas as pessoas que poderiam ter se chateado com ele.
Dito isso, reflito eu aqui junto com você. Ainda tenho algumas dificuldades quanto a isso, sabe? Medo de parecer ridícula por me importar, por vezes, com coisas consideradas pequenas por outras pessoas, medo de que a minha palavra seja mal-recebida, medo de criar um climão... E só de escrever isso já comecei a ficar alerta: que tanto medo é esse de ser autêntica e honesta com o que sinto? Os medos vem do orgulho, e isso bem sei, mas que o orgulho seja engolido, então. Quem eu sou, como me sinto, é muito mais importante do que os outros pensam sobre mim! E isso só eu determino.
Quando foi que ficamos tão dependentes do que os outros pensam? Tão temerosos de não discutir assuntos que nos incomodam... Mas eles precisam ser conversados. De que adiante não "criar climão" com o vizinho se estou ressentida com o que ele fez? É preciso ser conversado. Desejo construir sempre uma relação de paz e empatia com o outro, mas esses sentimentos precisam estar relacionados também a mim mesma - paz e consideração aos meus sentimentos.
Sem mais abafar o que sinto por uma paz que fica sendo só externa. Quero a paz primeiro aqui dentro e a construção de uma relação de profundo respeito por quem sou, pelo que sinto e por como me expresso ao mundo.
Ninguém fará isso por mim. Nem por você.
¹ Psicólogo americano, desenvolvedor do método de comunicação não-violenta.

Adoreeei!! Importantíssimo refletir sobre isso!
ResponderExcluirMe sinto profundamente contemplado por esse texto! É aquela reflexão precisa sempre estar bem viva em nossas mentes e em nossos corações. Gratidão, amiga!
ResponderExcluirPs: Que felicidade ver um post novo nesse cantinho tão maravilhoso da internet. Sempre que puder, traga mais dos seus pensamentos pra cá, adoro ler 😍