quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Segura a minha mão

Somos nós herdeiros das constelações
Eternos companheiros das estradas imortais
Que nos levam aos confins e mesmo lá
Eu encontro você, estamos em todos caminhos bons
Cores e sons... novo viver, novo cantar
Nosso coração nos diz da ânsia de se ver feliz
Da busca sem descanso de um motivo pra viver
Encontrar enfim a razão pra vencer
Eu encontro você, estamos em todos caminhos bons
Somos irmãos... novo cantar, novo viver, nosso coração...

Bons Caminhos
Joelson Queiroz



domingo, 13 de novembro de 2016

Aprendiz de jardineiro

Se estamos acostumados a pensar apenas no que os outros podem fazer por nós, experienciar o contrário pode ser uma excelente ideia. Mas de que forma pode-se exercitar a empatia, quando ainda se está tão concentrado em si mesmo?
Em que é possível ajudar, somar, semear, fazer crescer, com as mãos, ouvidos, palavras e pensamentos? Em que a sensibilidade ou o silêncio podem ser úteis?

Muitas pessoas ainda acreditam que ajudar alguém, da forma que for, é investimento para o futuro, para receber retorno quando precisar. Há aqueles que pensam que se dispor a cooperar com o outro é um ato de doação, total ou parcial. E que esperar algo em troca é alimentar expectativas que podem gerar uma futura decepção. Existe os que creem que bom, mesmo, é ajudar quando nada será recebido em troca. Além de um "obrigado", é claro, e uns elogios. Mas tudo espontâneo, hein. Nada obrigatório. E, ainda, há quem queira apenas que o outro alcance o que precisa. Sem expectativas futuras, sem demonstrações de gratidão. Ele se alegra em notar que seu movimento foi efetivo na conquista do outro.

Cada um só poderá avaliar a si mesmo com relação a que intenção e sentimento foi acionado ao colaborar com outra pessoa. Mas, diante da pluralidade das ações e sentimentos, surge a reflexão: O que se pode entender como caridade?




Caridade é amor em movimento. Mais que doar, ela busca doar-se. É resultado de importar-se com alguém além de si mesmo e da decisão de utilizar seus recursos para ajudar aquele com quem se importa. Já se sabe que não se transforma o mundo com um só projeto, com um só grupo. É clichê dizer que é preciso que todos mudem para que essa transformação de concretize. Clichê, mas verdadeiro. Nesse vai e vem de transferências de responsabilidade, há um projeto que ninguém além de cada um nós pode implementar: o da autotransformação; buscando sermos mais humanos, éticos, mais preocupados com outros e mais empáticos aos desafios, dores e dificuldades daqueles que conosco cruzam a caminhada, nesse mundão de desigualdades de todos os tipos. Um segundo projeto com o qual podemos colaborar, tão importante quanto o primeiro, é o da caridade. E ele traz consequências profundas.

Quando nos propomos a ajudar alguém, passamos a fazer parte de uma rede gigantesca de pessoas que se importam

  • No ato de ouvir o idoso que sentou ao seu lado no ônibus, e que deseja falar sobre a sua vida e, muitas vezes, nem tem com quem; 
  • na disposição de mobilizar amigos e familiares para arrecadar recursos e doar a uma instituição filantrópica ou a uma família que esteja necessitando de ajuda; 
  • ao perceber um olhar diferente de um companheiro de trabalho, faculdade ou qualquer outro lugar que se frequente, e, sem invadir sua vida, demonstrar que se importa e que está disponível para conversar sobre o que for; 
  • ao oferecer o assento em que está sentado, no transporte público, para alguém que esteja precisando;
  • ao abraçar um amigo que passa por um momento de dor;
  • entre muuuuuuuuuuitas outras ações.
Parece, a partir de óculos pré-ajustados, que o mundo, o país e a sociedade estão caóticos, que o mal vem ganhando espaço e que os homens e mulheres de bem vem sendo afetados em seus direitos, em seu bem-estar. Mas se a gente souber afinar o nosso olhar e ajustar os óculos, iremos notar: podemos, cada um de nós, distribuir o que o outro precisa. A oportunidade, o ensinamento, a necessidade imediata, o apoio emocional. E, além de regar a sementeira da vida com a água do amor, estaremos nutrindo, também, em nós, essa semente de bondade, de amor ao próximo e de esperança. Basta, apenas, acreditar que se é um aprendiz a jardineiro e estar disposto a realizar o seu ofício.




segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Eu posso

"Já tá ficando escuro, meu amor
Melhor sair daqui enquanto é tempo
Os dias andam estranhos, eu te entendo
Também queria um pouco de calor"
Leoni

O momento que os brasileiros e brasileiras vivem é, no mínimo, esquisito. Um vírus de desesperança, desespero, revolta e irritação que consome boa parte da população é contagioso e transmitimos entre nós, que se multiplica quando atinge o interior de nossas células. Talvez digamos: "não sei lidar". Talvez pensemos: "Não há o que fazer". Eu digo, porém: Não há no mundo quem possa mudar as coisas se não cada um de nós. Eu, aquela que escreve, poderei revogar leis e medidas provisórias aprovadas? Não. Poderei impedir os cortes na verba destina à educação, saúde, esporte e cultura? Não. Mas eu, você, e todos nós juntos podemos fazer o que o governo, nesse momento, não consegue: olhar dentro dos olhos/ler a história/ouvir o relato dos outros e se importar. Nós podemos nos importar.
Não convoco ninguém, aqui, a levantar uma guerra àquele que não tem empatia. Quiçá pra transformar esse "importar-se" em resultado de uma mescla de revolta contra quem não olha pelos nossos direitos e ira diante de quem ainda concorda. Eu não convoco ninguém, repito, ninguém, a fazer nada; apenas convido. Mas convoco a mim mesma a pôr mais afeto nas minhas palavras e nas minhas ações. A ter mais disponibilidade pra ajudar o outro. A ser refúgio para mim mesma de bons sentimentos e perspectivas, pra que com elas eu possa ser útil em ajudar a colorir os óculos preto e branco de quem foi pego pelo vírus. Eu convoco a mim mesma a me vacinar com esperança inesgotável e oferecer paciência e gotas de ânimo a quem foi infectado. 

Se existe a ausência daquele que, na nação, deveria zelar por nós, pelo nosso acesso aos direitos básicos para nossa sobrevivência e bem-estar, zelemos uns pelos outros! Aos cristãos: sejamos "o próximo" uns dos outros! Seja qual for a nossa religião dentro do cristianismo. Aos ateus e agnósticos: sejamos úteis uns aos outros! Formemos uma grande comunidade solidária! Quantos talvez não precisem daquilo que temos em abundância, como comida, roupas, cobertores, oportunidades, instrução, atenção? Quantos talvez não tenham pra dar aquilo de que precisamos?

"Seremos, no amanhã, uma grande família
Com certeza nossas vozes vencerão em coro
Todo o mal"
Ariovaldo Filho

Não é preciso que compartilhemos da mesma filosofia, religião, opinião. Mas se a gente souber se importar do jeito certo, sem julgar, sem acusar, mas compreendendo e respeitando quem o outro é, essa comunidade irá crescer e florescer como a maior e mais belo coletivo que o mundo já viu: o coletivo da solidariedade, do bem, e do amor.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Simplicidade de viver


Doce é sentir em meu coração
Humildemente vai nascendo o amor
Doce é saber, não estou sozinha
Sou uma parte de uma imensa vida

Que generosa reluz em torno a mim
Imenso dom do seu amor sem fim

O céu nos deste e as estrelas claras
Nosso irmão sol, nossa irmã a lua
Nossa mãe terra com frutos, campos, flores 
O fogo e o vento, o ar e a água pura
Fonte de vida de tua criatura


Que generosa reluz em torno a mim
Imenso dom do seu amor sem fim

Música: Doce é Sentir
Compositores adaptadores: Nei Fernandes e Jadiel


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Prossiga

Os jardins encantam muitos de nós. A beleza de uma flor nos faz sentir que o acaso não pode ter gerado essa sutileza tão bela de se observar; só de estar perto dela já podemos sentir um bem-estar. Dança sob a regência do vento e coroa esse momento espalhando seu perfume por toda parte. Mas as flores, antes de chegarem ao seu momento esplendoroso, pleno de vida e de encantadora beleza, são apenas sementes.

As sementes precisam ser plantadas em solo fértil, para que tenham a condição de se desenvolver. O sol, a água, o calor e o cuidado do jardineiro se fazem indispensáveis. Certamente que o jardim pode passar por dificuldades, como pragas e excesso de calor. Mas ainda assim a flor, com sua força, pode continuar a crescer, se desenvolver, ser polinizada e, mais tarde, ter suas sementes espalhadas.

Na própria natureza encontramos espécies que enfrentam dificuldades para chegar à sua plenitude. Nós, por outro lado, reclamamos de cada pequenina pedra que surge no nosso caminho, esquecendo que somos, nós mesmos, flores. Apesar das dificuldades, cresceremos. Espalharemos à nossa volta o que há no nosso interior. Encontraremos nossa plenitude ao encarar com naturalidade esses processos e nunca deixar de aproveitá-los para crescer.

Se nos faltar a coragem, lembremos: elas poderiam ficar escondidas na terra, mas a própria natureza das flores é florescer. Assim como a nossa é crescer, servir e amar.

"Pega o arado e prosegue sorrindo na tua tarefa
Ama, trabalha e semeia e espera
[...] 
Andai como filhos da luz, tua missão é iluminar
Vós sois todos filhos da luz, espalhai tua luz em todo lugar"


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Prisões

Ia escrever uma nova postagem e lembrei de um vídeo que traduz exatamente o que eu quero dizer. 


Quem te limita? Quem te aprisiona?





segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Bravura


De dentro

"Sem aceitação da nossa realidade presente, poderemos instaurar um regime de cobranças injustas e intermináveis conosco e posteriormente com os outros. A mudança para melhor não implica em destruir o que fomos, mas dar nova direção e maior aproveitamento a tudo que conquistamos, inclusive nossos erros."

Ermance Dufaux, no livro "Reforma íntima sem martírio"


SE ACEITE. SE PERDOE. SE AME.
Você verá quanta força, aos poucos, irá surgir do seu interior. 



segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Seja bem-vinda, crisálida

As borboletas não nascem borboletas. Enquanto lagartas, possuem sua função, mas entendem que precisam se transformar em algo mais. Sendo assim, tecem um sedoso invólucro ao seu corpo, uma crisálida, e inicia-se a mudança. Seu tecido se modifica em um processo específico. 
Quem vê se fora, pode pensar: "Se eu abrisse o casulo, libertaria logo a borboleta. Ela não precisaria esforçar-se tanto para conseguir voar". Muitos já sabem que abrir o casulo pode matar a lagarta em transformação. E ela, se pudesse responder aos desavisados, diria: é na crisálida que minhas asas se desenvolvem, que eu me modifico e adquiro condições para que a minha existência continue seguindo seu curso". 
Esse período de mudança é necessário, mas não fácil. Apesar disso, ele sempre se concluirá. E posteriormente, se verá uma borboleta bela e livre voar adiante, sem olhar para trás, fitando o horizonte.
Como as borboletas, somos nós. A transformação é necessária; as pessoas devem ansiar serem melhores... mais amorosas, compreensivas, cooperativas, caridosas; sejam com os outros ou para consigo mesmas. Mas o aprendizado que nos faz crescer só pode ser adquirido por cada um de nós. Ninguém pode tomar o nosso lugar, sob o preço de não aprendermos nada, de fato. Mas por mais difícil que possa parecer, conseguiremos crescer. Nossas asas irão se desenvolver. E, mais leves, iremos voar, contribuindo de nossa parte com nosso próprio bem, o bem da humanidade e a obra da Criação. Pois aquele que decide mudar a si mesmo já inicia, por si só, uma mudança no mundo.


domingo, 14 de agosto de 2016

Desperte e seja feliz

Em muitos momentos nos cobramos demais. Cremos ser difícil (com ares de praticamente impossível) dar esse ou aquele passo, aceitar essa ou aquela situação, e a partir dessa exigência severa para conosco mesmos, paralisamos. Esquecemos, porém, que deixando o amor fluir dentro de nós, em um movimento de autoamor e autoaceitação, que tende a se expandir também para o exterior, nos sentimos melhor com aquela parte de nós que queremos melhorar e mais firmes para caminhar para que essa mudança se concretize. 

Apenas abstrações? Não. Talvez seja uma pista, uma dica, que pode levar a todos nós por um caminho de autoconhecimento que, se bem direcionado, com certeza será enriquecedor. 

Que não tenhamos medo de olhar nosso verdadeiro eu cara-a-cara. Mas saibamos reconhecer nossas qualidades e aceitar imperfeições e defeitos que nos desagradam. Pois só aceitando sentiremos em nosso coração a firmeza de se estar buscando um crescimento harmônico.



"Um novo dia
Nova Aurora
Depende só de nós
Desperta a nascente que há em ti
Desperta o que adormece em teu coração
E faz nascer o amor
Uma luz nos caminhos"

André Machado

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Do ócio à utilidade

Sentados em frente à TV, tomando um iogurte grego, descansando de um dia corrido, entre outros momentos, a Preguiça entra pelo cômodo e senta ao nosso lado. Inicialmente, diz estar apenas acompanhando um momento de relaxamento. Nada demais, só quer assistir a série que você gosta, experimentar seu sabor preferido de iogurte ou ler junto com com você as postagens naquele grupo sobre cabelo. Você não percebe, porém, que as visitas inocentes vão se tornando cada vez mais frequentes e pouco tempo depois ela já abre a porta da geladeira, põe os pés em cima do sofá e pergunta o que tem pra jantar.
Sem perceber, ela ficou íntima do seu ser. É como dizem: "Dá dinheiro, mas não dá intimidade". O que fazer, então, pra reverter o processo?
Já há algum tempo, um amigo me deu um conselho, me alertando contra a preguiça:
Se você andar muito com ela, vai se viciar em fazer nada, toma cuidado. No começo será só fisicamente, mas depois até a mente vai parando. Não é culpa dela, você tem discernimento pra escolher. Te alerto, apenas, para que não seja pega desprevenida. Resista...

Respondi, perplexa:
— Nossa, Trabalho, que exagero... depois de encerrar um período turbulento na faculdade eu mereço descanso... De forma moderada não terá problema. Certo?
Claro. O descanso é muito justo. Mas a ociosidade faz um tremendo mal aos desavisados...
— Fique tranquilo. Ficarei bem. Mas obrigada pelo alerta.

Ele estava certo. Pouco a pouco uma vontade de fazer nada me tomou. Porém, o mais estranho, é que ela me incomoda. Ou seja, não gosto de não fazer nada, sinto-me inútil, mas não tenho vontade de fazer coisa alguma. Paradoxal sim ou claro?

Sendo assim, essa curta amizade precisa de limites. A Preguiça não é o problema, por si só. Ela existe, ponto. Eu é que não soube agir bem diante da sua influência. Não soube resistir às nossas afinidades, como aquela pessoa que se sente inclinada a comer demais, passa mal ao fazê-lo e, mesmo assim, se sente tentado a fazê-lo quando encontra a Gula.

Tendo aceitado, agora, que ela existe e que não pude resistir às suas influências, chega o momento, então de reagir! Que antídotos terei eu a meu favor? Quais serão as receitas de bolo que os bons amigos poderão me indicar? Lembrei-me, então, de Trabalho. Fui correndo pedir ajuda a ele, que me convidou a acompanhá-lo. Estive livre para planejar e executar atividades e ainda que a Preguiça tenha me ligado, eu avisei que estava ocupada. Não havia mais tempo a perder fazendo nada; nada no corpo, pouco na mente, bem pouco na vida. Isso não é vida. Até quando o corpo está inerte e a mente comprometida, pode ainda haver pensamento correndo, saltitando, passeando pela mente de alguém. Que amizade era essa, afinal, que me impelia a abrir mão disso? De pensar e agir e, consequentemente, sentir-me bem comigo mesma. Preferi ficar com meu amigo Trabalho.
Achei que o dia seria pesado, cansativo, porém ativo. Arregacei as mangas e me preparei pra um dia difícil. Enganei-me. Disse ele que o líder da obra, na qual fui convidada a colaborar, não exige de ninguém aquilo que a pessoa não pode oferecer. Nenhuma tarefa que chega é mais pesada do que cada um pode suportar. Eu não podia receber notícia melhor! Sentia-me bem, sentia-me útil e o dia rendeu como nenhum outro! Porque além dos braços estarem à postos em tarefas necessárias para mim e para outros, a minha mente estava mais tranquila. Hoje eu pude dizer que cumpri com a tarefa do dia: ser útil em qualquer nível, de qualquer maneira, de boa vontade. E isso, querido leitor, é um exercício a ser renovado dia após dia.

Voe!


domingo, 7 de agosto de 2016

A vontade

Acreditei, por um momento, que encontraria um monstro pela frente. Tive medo, tremi e chorei, sem conseguir livrar meu coração dessa preocupação. O encontro, porém, se fazia necessário. Ele estava no trajeto entre eu e alguém por quem tenho imenso carinho e contava com a minha presença.
No dia do encontro, fui trabalhando o meu coração. Por que assustar-me tanto? Que males esse monstro poderia me fazer? Cruzaria com ele, sim, mas também estaria junto àquele que me é tão caro e que solicitou, com muito carinho, que eu fosse testemunha de seu momento feliz. 
Lentamente fui parando de pensar em dificuldade, desafio, dor, monstro e mal. Pensei na felicidade do meu amado, nas suas lágrimas de alegria, na realização de seu sonho, no convite dele para que eu me tornasse parte daquele momento. Meu coração foi serenando... 
Chegando a hora da partida, o medo ainda estava ali, mas a alegria era maior. Fui. Avistei o monstro à frente. Tive medo, mas busquei ser firme, não entregar meu coração a ele tão facilmente. Se o monstro quisesse tomar-me por completo, teria que tornar-se mais assustador. Com o coração na mão, bebi água, respirei fundo, busquei ouvir as vozes conhecidas dos amigos e colegas, distrair-me com seus risos frouxos em um dia tão especial, e, finalmente, a batalha foi vencida, quando vi minha melhor amiga de infância entrar naquele salão, vestida de noiva.
Senti, em meu coração, gratidão. Por poder presenciar aquele momento na condição de madrinha, por estar viva, por Deus estar ao meu lado, me ajudando a pôr correntes naquele monstro que rugia, mostrava os dentes e mexia-se agressivamente, mas que não tinha poder para me tocar, para me fazer um mal real. Eu era senhora dele. E como um adestrador trabalha junto a um animal a fim de torná-lo dócil e obediente, inicio minha jornada em domesticar o monstro, não mais permitindo que ele me constranja e se coloque no meu caminho de forma a me impedir o ir e vir. Se estiver a meu lado, que seja na coleira, dócil, até que esteja pronto para ser solto pelas ruas, sem mais agredir a ninguém.
Eu sou senhora dele. E o medo, esse mal mediador, uma vez que está sempre favorecendo o outro lado, está fadado a ser demitido.


"Nenhuma força permanece estéril, quando se exerce de maneira constante, com vistas a um objetivo condizente com o direito e com a justiça. É este o caso da vontade; ela pode agir igualmente durante o sono e em vigília, pois a alma valente, que determinou para si um objetivo, busca-o tenazmente, tanto numa quanto noutra fase de sua vida, estabelecendo, assim, uma corrente poderosa, que mina lentamente, silenciosamente, todos os obstáculos".
Léon Denis

sábado, 6 de agosto de 2016

Deixe a luz entrar

Tem vezes que a gente se vê no meio do nevoeiro. Nada se vê adiante, o medo ganha espaço no coração e a ansiedade se aproxima aos poucos, porque se deseja muito voltar a enxergar um panorama melhor; a luz do sol, o céu, as estrelas. O que não se percebe é que o nevoeiro é filho do nosso próprio pensamento... O pensamento é criador, como Léon Denis lembra. Ele interfere completamente no panorama interno de cada indivíduo. Sendo assim, modificar o pensamento é contribuir de forma efetiva para que a névoa se dissipe cada vez mais e se possa perceber, novamente, a beleza da natureza e do mundo, exterior e interior.
E ambos os mundos são lindos. Basta ter olhos de ver... Se ainda não encontrou essa beleza em si mesmo, ajeite os óculos... Talvez seja preciso, até, mudar as lentes. Mas lembre-se sempre: você é capaz de perceber. É capaz de criar um novo ambiente interno com seu pensamento, de fazer luz em si mesmo, de perceber qualidades que já possui e ainda não consegue reconhecer. 


"Amigo, brilha o sol
Além de sua janela
Perceba ao seu redor
O quanto a vida é bela

Acenda em você
O brilho de dormita
Liberte as asas, voe
Ao encontro do mais puro amor
Abrace o infinito

Desperte para a luz, deixe o amor brotar
Frutificar de vez, que a vida é muito mais
Depende de você querer acreditar
Que pode ser feliz e, enfim, se libertar"

Eduardo Barreto

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

No coração do jardim há uma flor. Não se sabe bela, mas deseja ardentemente conhecer a beleza do mundo. Aspira a brisa do vento como se estivesse a se alimentar dela. Há, nessa flor singela, leveza, empatia e amor. Ela deseja crescer, desabrochar e espalhar os gérmens do amor por toda parte, mas, para começar, deseja cultivá-lo através dessa página.




"Deixe algum sinal de alegria por onde passar."
Chico Xavier