domingo, 7 de agosto de 2016

A vontade

Acreditei, por um momento, que encontraria um monstro pela frente. Tive medo, tremi e chorei, sem conseguir livrar meu coração dessa preocupação. O encontro, porém, se fazia necessário. Ele estava no trajeto entre eu e alguém por quem tenho imenso carinho e contava com a minha presença.
No dia do encontro, fui trabalhando o meu coração. Por que assustar-me tanto? Que males esse monstro poderia me fazer? Cruzaria com ele, sim, mas também estaria junto àquele que me é tão caro e que solicitou, com muito carinho, que eu fosse testemunha de seu momento feliz. 
Lentamente fui parando de pensar em dificuldade, desafio, dor, monstro e mal. Pensei na felicidade do meu amado, nas suas lágrimas de alegria, na realização de seu sonho, no convite dele para que eu me tornasse parte daquele momento. Meu coração foi serenando... 
Chegando a hora da partida, o medo ainda estava ali, mas a alegria era maior. Fui. Avistei o monstro à frente. Tive medo, mas busquei ser firme, não entregar meu coração a ele tão facilmente. Se o monstro quisesse tomar-me por completo, teria que tornar-se mais assustador. Com o coração na mão, bebi água, respirei fundo, busquei ouvir as vozes conhecidas dos amigos e colegas, distrair-me com seus risos frouxos em um dia tão especial, e, finalmente, a batalha foi vencida, quando vi minha melhor amiga de infância entrar naquele salão, vestida de noiva.
Senti, em meu coração, gratidão. Por poder presenciar aquele momento na condição de madrinha, por estar viva, por Deus estar ao meu lado, me ajudando a pôr correntes naquele monstro que rugia, mostrava os dentes e mexia-se agressivamente, mas que não tinha poder para me tocar, para me fazer um mal real. Eu era senhora dele. E como um adestrador trabalha junto a um animal a fim de torná-lo dócil e obediente, inicio minha jornada em domesticar o monstro, não mais permitindo que ele me constranja e se coloque no meu caminho de forma a me impedir o ir e vir. Se estiver a meu lado, que seja na coleira, dócil, até que esteja pronto para ser solto pelas ruas, sem mais agredir a ninguém.
Eu sou senhora dele. E o medo, esse mal mediador, uma vez que está sempre favorecendo o outro lado, está fadado a ser demitido.


"Nenhuma força permanece estéril, quando se exerce de maneira constante, com vistas a um objetivo condizente com o direito e com a justiça. É este o caso da vontade; ela pode agir igualmente durante o sono e em vigília, pois a alma valente, que determinou para si um objetivo, busca-o tenazmente, tanto numa quanto noutra fase de sua vida, estabelecendo, assim, uma corrente poderosa, que mina lentamente, silenciosamente, todos os obstáculos".
Léon Denis

Um comentário:

  1. Linda história!!! E quanto mais nos dispomos a enfrentar esses desafios, melhores domadores nos tornamos dos nossos próprios monstros! Busquemos a força e a coragem, pois nosso "Pai que está nos céus dará os VERDADEIROS BENS àqueles que os pedirem".

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